O entretenimento é a extensão do trabalho sob o capitalismo tardio.
Introdução
Mas por trás das letras sobre festas, relacionamentos e ostentação, há um projeto econômico estruturado: o gênero é, em grande medida, um braço cultural do agronegócio, que investe pesado para transformar artistas em máquinas de consumo e marketing político indireto.
💬 Nota
Resumo: O sertanejo universitário não é só entretenimento — é negócio bilionário ligado ao agronegócio e à lógica da indústria cultural.
1. O Surgimento do Sertanejo Universitário
– Plataformas digitais e rádios do interior impulsionaram o crescimento.
– Em 2022, segundo o Spotify Wrapped, o sertanejo ocupava 5 das 10 músicas mais ouvidas no Brasil.
O "universitário" não se refere a elite acadêmica, mas à juventude urbana de classe média que passou a consumir baladas e festivais como novos rituais sociais.
2. A Indústria por Trás do Palco
O Papel do Agronegócio
– Marcas ligadas ao campo (bebidas, insumos, maquinário) patrocinam megaeventos.
– Segundo estudo da Folha de S. Paulo (2022), shows sertanejos movimentam mais de R$ 2 bilhões/ano, grande parte com patrocínio do agro.
Estrutura Empresarial
– O modelo é próximo ao da indústria pop coreana: gestão total da carreira e da imagem.
- Exemplo de engenharia de negócios
Gusttavo Lima, um dos maiores nomes do gênero, tem contrato de shows com cachês médios de R$ 700 mil (dados da Revista Piauí, 2022).
Vários desses contratos foram pagos com verba pública de prefeituras do interior, frequentemente patrocinadas por empresas ligadas ao agronegócio.
Vários desses contratos foram pagos com verba pública de prefeituras do interior, frequentemente patrocinadas por empresas ligadas ao agronegócio.
3. Música e Alienação
– A festa sertaneja se torna um espaço de consumo ritualizado: camarote, bebidas premium, ingressos VIP.
– Como aponta Muniz Sodré, a mídia brasileira cria “mitos populares de consumo” que servem para anestesiar tensões sociais.
A indústria cultural vende felicidade pronta em doses sonoras.
💬 Nota
Resumo: A alienação não está apenas na letra, mas na forma como o consumo se organiza em torno da experiência sertaneja.
4. O Sertanejo como Engenharia Financeira
– A cadeia sertaneja movimenta:
- venda de ingressos,
- camarotes,
- patrocínios,
- publicidade digital,
- streaming.
– Segundo a ANCINE (2021), o sertanejo representava cerca de 60% do mercado de shows nacionais pagos com verba pública municipal.
O show vira não só entretenimento, mas também moeda política e vitrine de capital do agro.
5. Críticas e Contradições
– Enquanto isso, gêneros como samba, forró e rap recebem menos patrocínio, apesar de relevância cultural.
– A hegemonia sertaneja reflete não apenas gosto popular, mas concentração de investimentos.
💬 Nota
Resumo: O que ouvimos é tanto escolha cultural quanto resultado de engenharia de mercado.
Conclusão
– Música e lazer para milhões.
– Ferramenta de investimento e propaganda indireta do agronegócio.
– Produto da indústria cultural, que combina alienação, espetáculo e lucro. Reconhecer esse contexto não significa negar valor artístico ou cultural, mas entender que, assim como todo produto da sociedade de consumo, o sertanejo é também um negócio altamente planejado.
💬 Nota
Resumo final: O sertanejo universitário não é apenas trilha de festas — é um espelho do poder econômico e cultural do agronegócio no Brasil.
Leituras e Referências
– Revista Piauí (2022): Reportagem sobre os cachês de Gusttavo Lima
– ANCINE (2021): Dados de shows e verbas municipais
– José Miguel Wisnik: O Som e o Sentido
– Muniz Sodré: A Sociedade Midiática
– Theodor Adorno & Max Horkheimer: Indústria Cultural e Sociedade
Sobre o Autor
Henrique Reis é desenvolvedor, pesquisador independente e jovem empreendedor baiano.
Neste blog, analisa sociedade, cultura e economia, unindo reflexão crítica e observação prática.
Neste blog, analisa sociedade, cultura e economia, unindo reflexão crítica e observação prática.

