Henrique Reis
13 de agosto de 202625 min

23 melhores filmes de 2025

Uma seleção comentada dos 23 melhores filmes de 2025, equilibrando cinema brasileiro, produções internacionais, sucessos populares e obras autorais.
Nota de estudoFilmes de 2025Cinema brasileiroCinema internacional
Seleção editorial dos 23 melhores filmes de 2025
Esta lista considera filmes cuja estreia mundial ocorreu em 2025, mesmo quando o lançamento comercial no Brasil veio depois. O recorte evita misturar obras de 2024 que chegaram às salas brasileiras em 2025 — uma distinção importante num ano em que calendários de festivais, streaming e cinema continuaram bastante desencontrados. Não é uma soma de prêmios nem uma reprodução das listas de dezembro. A ordem combina execução, personalidade, capacidade de permanecer interessante e o que cada filme acrescenta ao panorama do ano. Produção popular e cinema autoral são avaliados pelo que tentam fazer, não pela distância em relação a um mesmo ideal de prestígio.
  • força cinematográfica: atuação, imagem, som, montagem e ritmo precisam formar uma experiência coerente;
  • ambição bem executada: escala grande não vale mais que precisão, mas também não vale menos;
  • permanência provável: o filme precisa oferecer algo além da conversa de lançamento;
  • diversidade orgânica: países, gêneros e modos de produção entram quando há obras fortes, sem vagas protocolares.
O resultado reúne quatro filmes brasileiros, animação, terror, espionagem, super-herói, drama familiar, sátira e experiências formais exigentes. Posições próximas poderiam mudar; o primeiro lugar é uma defesa editorial, não consenso.
Pôster de Homem com H (2025)

Homem com H

2025129 min

A trajetória de Ney Matogrosso atravessa repressão familiar, ditadura, desejo e criação de uma presença de palco impossível de domesticar.

Transforma a cinebiografia musical em estudo de corpo, voz e presença, mesmo quando percorre etapas conhecidas do formato.

Esmir Filho encontra o melhor caminho quando confia no corpo e na performance de Jesuíta Barbosa. A vida de Ney Matogrosso atravessa repressão familiar, ditadura e desejo, mas não fica reduzida a uma sequência de obstáculos superados antes do sucesso. Funciona para quem gosta de cinebiografias musicais exuberantes. A estrutura é familiar; a maneira como figurino, gesto e palco fabricam liberdade é o que justifica a entrada.
Pôster de A Hora do Mal (2025)

A Hora do Mal

Weapons

2025128 min

O desaparecimento simultâneo de quase toda uma turma expõe versões conflitantes de uma comunidade e a violência ao redor de suas crianças.

Usa uma estrutura coral para fazer o desaparecimento de crianças contaminar professores, famílias e toda uma comunidade.

Zach Cregger troca um único ponto de vista por versões que se cruzam, contradizem e ampliam o absurdo. O filme é mais interessante observando como uma comunidade distribui culpa do que procurando preservar o mistério a qualquer custo. Para quem gosta de horror imprevisível e humor muito sombrio. Aviso: crianças em perigo, abuso e violência gráfica.
Pôster de Superman (2025)

Superman

2025129 min

Superman tenta preservar uma ideia de bondade num mundo saturado de conflitos, propaganda, vigilantes e interesses corporativos.

Recupera cor, bondade e aventura coletiva para um cinema de super-herói que não trata esperança como ingenuidade.

James Gunn começa com um mundo já em movimento e confia que o público acompanhará heróis, monstros, política e romance sem uma longa preparação. Nem tudo recebe o mesmo espaço, mas a desordem tem energia e uma ideia clara de personagem. É o grande espetáculo mais abertamente otimista da seleção. Entra por defender bondade como escolha difícil, não como ausência de conflito.
Pôster de Extermínio: A Evolução (2025)

Extermínio: A Evolução

28 Years Later

2025115 min

Décadas após o surto, um jovem deixa uma comunidade isolada e encontra novas formas de sobrevivência, violência e convivência com os infectados.

Retorna ao apocalipse com imagens digitais agressivas e uma reflexão inesperada sobre morte, infância e rituais de cuidado.

Danny Boyle evita transformar o retorno à série numa visita guiada. Câmeras pequenas, montagem violenta e mudanças bruscas de registro colocam uma aventura de amadurecimento ao lado de imagens de decomposição e memória coletiva. Pode dividir quem espera apenas sobrevivência acelerada. Aviso: violência gráfica, nudez e morte.
Pôster de Código Preto (2025)

Código Preto

Black Bag

202593 min

Dois agentes casados precisam separar intimidade e trabalho quando uma investigação coloca confiança e traição na mesma mesa.

Mostra que espionagem adulta pode caber em 93 minutos quando diálogo, casamento e vigilância trabalham na mesma tensão.

Steven Soderbergh dirige com economia: uma mesa de jantar, um detector de mentiras e pequenas mudanças de lealdade valem mais que uma coleção de explosões. O casamento dos protagonistas não interrompe o caso de espionagem; é o campo onde ele realmente acontece. Para quem procura thriller curto, elegante e conduzido por conversa.
Pôster de A Melhor Mãe do Mundo (2025)

A Melhor Mãe do Mundo

2025105 min

Uma catadora de recicláveis foge com os filhos e transforma a carroça em abrigo enquanto tenta reconstruir segurança e autonomia.

Encontra dignidade e movimento numa fuga materna sem suavizar violência doméstica, trabalho precário ou risco social.

Anna Muylaert acompanha uma catadora e seus filhos sem transformar pobreza em cenário edificante. A carroça pode virar abrigo e espaço de invenção infantil, mas continua sendo evidência da precariedade que limita cada decisão. Shirley Cruz sustenta o filme sem idealizar maternidade. Aviso: violência doméstica e crianças em perigo.
Pôster de Arco (2025)

Arco

202588 min

Uma criança vinda de um futuro distante cai em 2075 e encontra ajuda para voltar para casa num planeta climaticamente instável.

Combina viagem no tempo, crise climática e desenho luminoso numa animação infantil que não subestima adultos nem crianças.

O futuro de Ugo Bienvenu possui cor, estranheza e melancolia, mas não abandona o prazer da aventura. A amizade entre duas crianças organiza as ideias ambientais sem transformar personagens em porta-vozes. Boa escolha para famílias e para quem procura animação fora das grandes franquias.
Pôster de Sorry, Baby (2025)

Sorry, Baby

2025103 min

Uma professora tenta reorganizar a vida depois de uma violência enquanto amizade, rotina e humor recusam uma recuperação linear.

Trata trauma pelo tempo quebrado da experiência e encontra humor sem converter dor em lição edificante.

Eva Victor recusa a progressão simples de queda e recuperação. A narrativa salta no tempo porque certas experiências não se organizam de maneira limpa; a amizade e o humor existem ao lado da dor, não como remédio roteirizado. É íntimo e delicado, mas não leve. Aviso: violência sexual e trauma.
Pôster de Frankenstein (2025)

Frankenstein

2025149 min

A criação de Victor Frankenstein transforma ambição científica, abandono e desejo de pertencimento numa tragédia gótica de grande escala.

Guillermo del Toro assume o melodrama e o artesanato para devolver abandono, paternidade e desejo de afeto ao mito.

Del Toro não tenta esconder sua identificação com a criatura. Cenários, figurinos e efeitos físicos sustentam uma tragédia sobre criação irresponsável e a necessidade de ser reconhecido como pessoa. Para quem aceita espetáculo gótico assumidamente emocional. O excesso visual às vezes pesa, mas também impede que esta seja apenas outra adaptação respeitosa.
Pôster de A Voz de Hind Rajab (2025)

A Voz de Hind Rajab

Sawt Hind Rajab

202590 min

A gravação real de uma criança cercada em Gaza orienta uma reconstrução concentrada no trabalho de socorristas e nos limites da escuta.

Constrói uma experiência de escuta ética e extenuante ao redor de uma voz real que não pode ser tratada como suspense.

Kaouther Ben Hania concentra a encenação num centro de emergência e incorpora o áudio real de Hind Rajab. A decisão produz uma tensão difícil: o filme precisa tornar visível a falha institucional sem converter o destino conhecido de uma criança em mecanismo de entretenimento. É uma obra política indispensável à conversa do ano, mas exige preparo. Aviso: áudio real, guerra e morte de criança.
Pôster de Resurrection (2025)

Resurrection

Kuang ye shi dai

2025160 min

Uma viagem por épocas, gêneros e estados de percepção imagina o cinema como sonho em transformação e experiência física.

Percorre épocas e formas do cinema como um sonho físico, excessivo e deliberadamente incapaz de caber numa única narrativa.

Bi Gan atravessa gêneros, períodos e modos de perceber imagem como se montasse uma memória impossível do cinema. A escala é enorme e a duração cobra disposição; em troca, há sequências cuja ambição sensorial não se confunde com demonstração técnica vazia. Para espectadores que aceitam lógica onírica e 160 minutos de experimentação.
Pôster de Sound of Falling (2025)

Sound of Falling

In die Sonne schauen

2025149 min

Quatro gerações de mulheres ocupam a mesma propriedade rural, unidas por imagens, gestos e violências que atravessam o tempo.

Faz gestos, espaços e violências atravessarem gerações de mulheres por associações sensoriais, não por explicação linear.

Mascha Schilinski observa quatro períodos numa propriedade rural alemã. Rostos, quartos e movimentos aproximam vidas sem uma linha temporal didática; o passado retorna como sensação, hábito e violência incorporada. É um filme lento, fragmentado e exigente. Aviso: suicídio e violência sexual.
Pôster de The Mastermind (2025)

The Mastermind

2025110 min

Um roubo de arte mal planejado expõe a distância entre a imagem que um homem tem de si e sua capacidade de agir.

Esvazia o glamour do filme de assalto para observar privilégio, incompetência e fuga com ironia quase invisível.

Kelly Reichardt filma um roubo de arte como trabalho mal planejado e suas consequências como uma série de desconfortos crescentes. O protagonista acredita estar no centro de uma grande operação; o mundo ao redor mal reconhece sua importância. Para quem aprecia anticlímax, observação social e humor seco.
Pôster de Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (2025)

Hamnet: A Vida Antes de Hamlet

Hamnet

2025125 min

A morte de uma criança atravessa a vida de Agnes e William Shakespeare e altera a relação entre família, memória e criação artística.

Converte luto histórico em experiência de corpo, natureza e criação sem reduzir Shakespeare ao monumento posterior.

Chloé Zhao desloca o centro para Agnes e para a vida material de uma família antes de qualquer consagração literária. Natureza, doença e atuação tornam o luto quase físico; a criação aparece depois, como transformação incompleta da perda. É melodrama frontal e catártico. Aviso: doença, luto e morte de criança.
Pôster de O Último Azul (2025)

O Último Azul

202586 min

Uma mulher idosa foge do destino imposto pelo Estado e atravessa os rios amazônicos em busca de autonomia e desejo.

Imagina velhice, desejo e resistência na Amazônia com uma ficção especulativa fluvial, tátil e genuinamente livre.

Gabriel Mascaro parte de uma política autoritária de confinamento de idosos, mas não faz apenas distopia. A fuga de Tereza encontra cor, textura, humor e possibilidades de desejo que o Estado já havia decidido encerrar. Denise Weinberg conduz uma aventura rara por quem ocupa seu centro e pela maneira como olha a Amazônia.
Pôster de Sirât (2025)

Sirât

2025115 min

Um pai e o filho procuram uma jovem desaparecida entre festas eletrônicas no deserto, seguindo uma comunidade até territórios mais extremos.

Começa como busca no deserto e muda brutalmente de escala, usando música e paisagem para retirar segurança do espectador.

Oliver Laxe acompanha um pai entre raves e estradas quase inexistentes. O som físico cria comunidade, mas o deserto nunca vira decoração exótica; cada quilômetro reduz a ilusão de que personagens e público dominam a jornada. É uma experiência sensorial e cruel. Aviso: acidentes, luto e violência.
Pôster de A Única Saída (2025)

A Única Saída

Eojjeolsuga eopda

2025139 min

Depois de perder o emprego, um especialista da indústria de papel decide eliminar concorrentes para recuperar a vida que considera sua.

Transforma desemprego e competição em sátira visualmente exuberante sobre a violência naturalizada pelo mercado.

Park Chan-wook parte de um homem que considera sua estabilidade um direito adquirido e leva essa convicção à conclusão mais perversa. Cenários, montagem e humor tornam o plano simultaneamente absurdo e reconhecível. Para quem gosta de sátira cruel com acabamento de grande produção. Aviso: violência e morte.
Pôster de Marty Supreme (2025)

Marty Supreme

2025149 min

Um jogador de tênis de mesa persegue reconhecimento com uma confiança que transforma cada oportunidade em impulso e risco.

Empurra ambição, esporte e autopromoção num movimento incessante sem pedir que o carisma absolva seu protagonista.

Josh Safdie transforma tênis de mesa em arena para um homem que precisa converter qualquer encontro em oportunidade. Timothée Chalamet acompanha a velocidade do filme sem suavizar oportunismo, mentira ou autossabotagem. É longo, barulhento e deliberadamente cansativo — justamente a experiência que sua ambição exige.
Pôster de Pecadores (2025)

Pecadores

Sinners

2025137 min

Dois irmãos abrem um clube no Mississippi e encontram uma ameaça vampírica ligada à música, à comunidade e à história.

Faz música, história negra e vampiros participarem da mesma disputa por comunidade, memória e apropriação.

Ryan Coogler reserva tempo para o clube, os músicos e a comunidade antes de liberar o horror. Quando os vampiros chegam, já entendemos o que desejam consumir além de sangue; a sequência musical central liga passado e futuro sem interromper o gênero. Popular, expansivo e formalmente seguro. Aviso: racismo e violência gráfica.
Pôster de Foi Apenas um Acidente (2025)

Foi Apenas um Acidente

Yek tasadef sadeh

2025103 min

Um encontro casual pode reunir antigas vítimas diante do homem que acreditam ter sido seu torturador, abrindo um impasse moral e político.

Transforma reconhecimento incerto e desejo de vingança num impasse moral tenso, político e por vezes absurdamente engraçado.

Jafar Panahi parte de um som possivelmente reconhecido e reúne antigas vítimas ao redor de uma pergunta impossível: como agir quando a memória corporal é forte, mas a certeza factual não é completa? O humor não diminui o trauma; revela a precariedade da situação. Um thriller moral sem resposta confortável. Aviso: tortura e trauma político.
Pôster de Valor Sentimental (2025)

Valor Sentimental

Affeksjonsverdi

2025133 min

Duas irmãs voltam a lidar com o pai cineasta quando ele tenta transformar a casa e a história familiar em um novo filme.

Usa cinema, casa e atuação para investigar o que uma família consegue transformar em arte sem reparar inteiramente o dano.

Joachim Trier faz uma casa acumular memória e transforma um papel recusado numa nova disputa entre pai e filhas. As atuações observam ressentimento sem cristalizar ninguém como vilão; fazer arte pode aproximar, explorar ou repetir uma ausência. É o drama de atores mais preciso da seleção, íntimo sem perder humor.
Pôster de Uma Batalha Após a Outra (2025)

Uma Batalha Após a Outra

One Battle After Another

2025162 min

Um antigo revolucionário precisa reencontrar aliados e enfrentar o passado quando a filha se torna alvo de um inimigo persistente.

Organiza ação, comédia, paranoia e afeto familiar numa máquina política expansiva que nunca perde o impulso.

Paul Thomas Anderson transforma militância, repressão, paternidade e perseguição numa narrativa de movimento quase contínuo. A escala é grande, mas o motor permanece simples: um pai inadequado tentando alcançar a filha antes que a violência de outra geração a capture. É cinema popular sem simplificação e cinema político sem abandonar prazer, humor ou suspense.
Pôster de O Agente Secreto (2025)

O Agente Secreto

2025158 min

No Recife de 1977, um homem perseguido tenta atravessar o carnaval enquanto violência política, memória e burocracia fecham o cerco.

Faz memória histórica, suspense, humor e textura urbana coexistirem num Recife em que o passado insiste em não permanecer enterrado.

Kleber Mendonça Filho constrói o Recife de 1977 por ruídos, prédios, arquivos, conversas e ameaças que nem sempre anunciam sua importância. O suspense político convive com humor, horror e histórias laterais porque a memória também é feita de desvios, lacunas e restos. O primeiro lugar não é uma concessão ao cinema brasileiro. É a escolha pelo filme que melhor combina forma, prazer narrativo, densidade histórica e vontade de continuar sendo pensado depois da sessão.
  • Nouvelle Vague, de Richard Linklater, recria a produção de Acossado com precisão lúdica, mas conversa melhor com quem já possui repertório da Nouvelle Vague.
  • Bugonia, de Yorgos Lanthimos, oferece performances e humor venenoso, embora sua provocação seja menos consistente que seus melhores momentos.
  • The Testament of Ann Lee, de Mona Fastvold, arrisca o musical religioso como experiência física e coletiva.
  • If I Had Legs I'd Kick You, de Mary Bronstein, comprime exaustão materna e ansiedade numa atuação difícil de esquecer.
  • KPop Demon Hunters, de Maggie Kang e Chris Appelhans, foi um fenômeno popular com identidade visual e musical própria.
  • O Filho de Mil Homens, de Daniel Rezende, encontra calor e apelo popular na adaptação de Valter Hugo Mãe.
  • Vitória, de Andrucha Waddington, confirmou a força de Fernanda Montenegro e o alcance do drama brasileiro nas salas.
Esta seleção pode se desdobrar em listas próprias de melhores filmes brasileiros recentes, animações fora dos grandes estúdios, filmes premiados em Cannes e lançamentos que chegaram depois aos catálogos de streaming. Também vale uma lista específica dos melhores filmes de terror de 2025: o gênero teve variedade suficiente para não caber apenas em Pecadores, A Hora do Mal e Extermínio: A Evolução. Qual foi o melhor filme de 2025 para você — e qual obra deste ano ainda está sendo subestimada?
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