Quatro portas de entrada
Onde começa uma linguagem brasileira de horror
À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964)
À Meia-Noite Levarei Sua Alma
Apresenta Zé do Caixão e prova que limitações industriais não impediam composição, atmosfera e violência com identidade própria. É ponto de partida histórico, não peça de museu domesticada.
Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967)
Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver
Amplia o primeiro filme e reserva a cor para uma visão do inferno que permanece impressionante. A intervenção da censura também ficou inscrita em seu desfecho.
O retorno de Zé e a passagem para outro cinema
Encarnação do Demônio (2008)
Encarnação do Demônio
Conclui décadas depois a trilogia central de Zé do Caixão, transformando envelhecimento, legado e liberdade gráfica em parte da própria narrativa.
Trabalho, classe e coisas escondidas nas paredes
Trabalhar Cansa (2011)
Trabalhar Cansa
Faz desemprego, empreendedorismo e divisão doméstica produzirem horror antes que a parede do mercado revele qualquer ameaça concreta.
Propriedade (2022)
Propriedade
Transforma um carro blindado em fortaleza e prisão enquanto a luta pela terra impede que o suspense distribua inocência e culpa confortavelmente.
Casas, famílias e mortos que não permanecem quietos
Quando Eu Era Vivo (2014)
Quando Eu Era Vivo
Usa objetos, música e lembranças maternas para fazer a casa familiar oscilar entre arquivo, abrigo e mecanismo de obsessão.
A Sombra do Pai (2018)
A Sombra do Pai
Observa o luto pelo ponto de vista de uma criança e aproxima ritual, imaginação e abandono de um pai consumido pelo trabalho.
Morto Não Fala (2018)
Morto Não Fala
Leva o horror para o necrotério e faz o dom de ouvir mortos deixar de ser vantagem quando culpa, desejo e vingança passam a responder.
Adolescência, desejo e disciplina dos corpos
Mate-me Por Favor (2015)
Mate-me Por Favor
Mistura assassinatos, desejo adolescente, música e paisagens vazias da Barra da Tijuca sem se comportar como slasher ou investigação tradicional.
Medusa (2021)
Medusa
Converte disciplina religiosa, culto à beleza e patrulhamento feminino em sátira neon que gradualmente deixa o corpo escapar da imagem controlada.
Restaurantes, maternidades e criaturas
O Animal Cordial (2017)
O Animal Cordial
Fecha patrão, empregados, clientes e assaltantes num restaurante e deixa a cordialidade nacional revelar sua estrutura de humilhação e força.
As Boas Maneiras (2017)

As Boas Maneiras
Combina romance, maternidade, classe, musical e criatura numa fábula paulistana que muda de forma sem abandonar o vínculo entre suas protagonistas.
Um país em decomposição
Enterre Seus Mortos (2024)
Enterre Seus Mortos
Acompanha um trabalhador que recolhe animais mortos por estradas enquanto sinais religiosos, ambientais e políticos anunciam um colapso já incorporado à rotina.