Henrique Reis
4 de agosto de 202611 min

O que publicar sendo UI/UX designer

Use conteúdo para demonstrar análise, decisões de interface, acessibilidade e processo sem reduzir seu perfil a telas bonitas ou dicas genéricas.
Nota de estudoUI DesignUX DesignProduct Design
Matriz editorial para conteúdos de UI e UX organizados por público e competência
Um designer não precisa publicar apenas interfaces finalizadas. O perfil também pode mostrar como você identifica um problema, organiza informação, escolhe entre alternativas, trabalha com restrições e revisa uma hipótese. Isso é especialmente útil quando ainda faltam clientes ou produtos lançados. Uma análise bem delimitada, um projeto autoral transparente ou uma decisão explicada consegue demonstrar mais raciocínio que uma sequência de mockups sem contexto. UI, UX e Product Design se sobrepõem, mas não são sinônimos. Uma publicação sobre estados de um componente demonstra uma competência diferente de uma análise de fluxo, pesquisa ou priorização de produto. Escolha o recorte que corresponde ao trabalho que deseja tornar visível.
Resumo

O que seu conteúdo pode demonstrar

  • Capacidade de formular problemas antes de desenhar telas.
  • Decisões ligadas a evidências, hipóteses e restrições.
  • Repertório visual sem confundir preferência com usabilidade.
  • Atenção a acessibilidade, estados, conteúdo e implementação.
  • Comunicação suficiente para colaborar com produto e desenvolvimento.
Outros designers podem se interessar por método, ferramenta e crítica detalhada. Recrutadores procuram sinais de papel, raciocínio, colaboração e adequação à vaga. Empresas e clientes querem compreender que problema você ajuda a resolver. Pessoas interessadas em design talvez precisem de menos jargão e mais contexto. Uma pauta sobre “variantes de botão no Figma” pode ensinar pares. Para uma empresa, seria mais útil explicar como estados de carregamento, erro e indisponibilidade reduzem ambiguidade em uma tarefa. O artefato é parecido; a pergunta respondida muda. Escolha uma função para cada publicação:
  • ensinar um conceito;
  • documentar uma decisão;
  • analisar uma interface;
  • apresentar um projeto;
  • registrar um aprendizado;
  • explicar seu modo de trabalhar;
  • indicar disponibilidade para uma oportunidade.
Ensinar, documentar e vender podem coexistir no perfil, mas não precisam acontecer em todo post.
Referência

Matriz editorial para UI/UX designers

O formato vem depois da função. Adapte a matriz ao papel que você busca.

O formato vem depois da função. Adapte a matriz ao papel que você busca.
ObjetivoPúblicoPublicaçãoExemploCompetênciaFormato
Demonstrar raciocínio
Recrutador
Análise de decisão
Por que o fluxo mantém uma confirmação
Síntese e gestão de risco
Carrossel anotado
Apresentar repertório
Designers
Comparação contextual
Dois padrões de filtro e seus limites
Benchmark e crítica
Artigo curto
Evidenciar capacidade visual
Equipe de produto
Exploração de UI
Hierarquia e estados de um formulário
UI e interação
Vídeo ou imagens comentadas
Mostrar processo
Cliente
Recorte de projeto
Da restrição ao wireframe escolhido
Formulação e priorização
Estudo curto
Construir autoridade
Público amplo
Explicação aplicada
Por que cor sozinha não informa erro
Acessibilidade
Post ilustrado
Buscar oportunidade
Gestor
Apresentação de caso
Meu papel, decisões e aprendizado
Comunicação profissional
Post com link para portfólio
Uma matriz evita que “publicar no LinkedIn” ou “fazer Reels” seja tratado como objetivo. O canal distribui; a pauta precisa demonstrar algo. Mostre como uma pergunta ampla virou hipótese pesquisável. Diferencie desk research, observação pública e entrevista real. Você pode explicar quais dados ainda faltam, como selecionaria participantes ou por que uma proto-persona continua sendo suposição. Isso demonstra rigor. Não invente falas, mapas ou pessoas para fazer o processo parecer completo. Compare duas formas de agrupar conteúdo, redesenhe uma navegação com justificativa ou explique por que um fluxo precisa permitir retorno. Inclua cenário, tarefa e restrição; sem isso, um user flow vira diagrama decorativo. Mostre hierarquia, estados, responsividade, microcopy e comportamento, não apenas a tela ideal. Um protótipo pode explicar transição e feedback, mas não comprova sozinho que a solução funciona para usuários. Analise contraste, uso de cor, rótulos, foco, tamanho de controles, alternativas textuais e adaptação de layout. A W3C recomenda, entre outros pontos, contraste suficiente, identificação de elementos interativos, rótulos associados e navegação consistente. Declare se sua revisão é preliminar; conformidade exige avaliação mais ampla. Explique por que um componente existe, quais variantes resolve, como tokens preservam decisões e o que precisa ser combinado no handoff. Uma coleção de botões não demonstra governança, contribuição nem adoção. Documente como uma conversa com desenvolvimento mudou uma solução, como requisitos foram negociados ou como você preparou estados e especificações. Preserve confidencialidade e atribua o trabalho da equipe. Um único projeto pode gerar recortes diferentes sem repetir o caso inteiro:
  • Problema: qual tarefa estava difícil e para quem.
  • Restrição: prazo, tecnologia, regra ou ausência de dados.
  • Fluxo: alternativa descartada e caminho escolhido.
  • Wireframe: o que foi priorizado antes da camada visual.
  • UI: como hierarquia, conteúdo e estados apoiaram a tarefa.
  • Acessibilidade: quais verificações entraram e o que ainda faltou testar.
  • Aprendizado: o que mudou após crítica, teste ou implementação.
  • Resultado: dado real, feedback limitado ou hipótese ainda aberta.
Se esse material precisa virar uma narrativa completa, continue em como montar um portfólio de UX sem experiência. O artigo separa evidência legítima de processo inventado. O exemplo pressupõe que a pessoa também estuda, trabalha e desenvolve projetos. Há quatro publicações; os demais dias servem para pesquisa, produção, interação e revisão.
Referência

Duas semanas de conteúdo possível

A cadência é exemplo, não regra de plataforma ou produtividade.

A cadência é exemplo, não regra de plataforma ou produtividade.
MomentoPautaEvidência preparadaPróxima ação
Semana 1, início
Análise curta de um fluxo público
Contexto, captura e hipótese
Pedir crítica sobre o raciocínio
Semana 1, fim
Decisão de um projeto autoral
Alternativa, restrição e wireframe
Levar ao estudo completo
Semana 2, início
Verificação de acessibilidade
Critério, limitação e ajuste
Compartilhar referência oficial
Semana 2, fim
Aprendizado de colaboração
Situação, mudança e impacto observado
Apresentar papel e disponibilidade
Uma publicação pode ser reaproveitada em blog, rede ou portfólio, desde que seja adaptada à profundidade e ao leitor.
Evite

Erros que tornam o perfil genérico

  • Publicar apenas telas: aparência aparece sem problema, tarefa ou decisão.
  • Copiar tendências: o resultado demonstra domínio do estilo, mas não necessariamente adequação.
  • Criticar sem contexto: preferência pessoal recebe o nome de problema de usabilidade.
  • Usar jargões: artefatos substituem uma explicação compreensível.
  • Montar processo fictício: entrevistas, personas e testes inexistentes aparecem como evidência.
  • Não definir público: a pauta tenta falar com recrutador, designer e cliente ao mesmo tempo.
  • Esconder limitações: hipótese é apresentada como solução validada.
  • Ignorar autoria: trabalho de pesquisa, conteúdo, desenvolvimento ou equipe parece individual.
Ação

Checklist da publicação

  • Existe um problema, decisão ou aprendizado claro?
  • O contexto e meu papel estão explicados?
  • A justificativa distingue evidência, hipótese e preferência?
  • A publicação demonstra uma competência relevante?
  • Dados e materiais confidenciais foram protegidos?
  • Afirmações de usabilidade ou acessibilidade possuem base adequada?
  • O conteúdo pode ser compreendido pelo público escolhido?
  • Autoria, colaboração e limitações estão visíveis?
FAQ

Perguntas frequentes

Preciso publicar todos os projetos?Não. Selecione recortes que demonstrem competências diferentes e que possam ser apresentados sem violar confidencialidade.Posso criticar aplicativos conhecidos?Pode analisar informações públicas, mas sem acesso a objetivos, dados e restrições internos sua conclusão é limitada. Apresente observações como hipóteses, não como diagnóstico definitivo.Devo falar de UI ou UX no mesmo perfil?Pode, desde que seu papel fique compreensível. Mostre quando está discutindo interface, pesquisa, experiência, produto ou colaboração.Como publicar sem experiência profissional?Use projetos acadêmicos e autorais, análises e contribuições com origem explícita. Não invente pesquisa, equipe ou resultado.Preciso ensinar para construir autoridade?Não. Documentar decisões, dúvidas e iterações também demonstra conhecimento, às vezes com mais honestidade que uma lista de regras.
Escolha um projeto e documente uma decisão: contexto, alternativas, restrição, evidência e limite. Esse recorte já pode virar conteúdo e preparar o estudo de caso do portfólio.
Próximos passos

Do conteúdo para o portfólio

Próximas leituras

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