Henrique Reis
4 de agosto de 202619 min

Como divulgar um consultório de psicologia de forma ética

Organize indicação, Google, site, conteúdo e contato inicial respeitando sigilo, identificação profissional e limites da publicidade em Psicologia.
Nota de estudoPsicólogosConsultório de psicologiaCFP
Capa editorial sobre divulgação ética de consultório de psicologia
Divulgar um consultório de psicologia não deveria começar pela promessa de “atrair clientes todos os dias”. Começa por tornar o trabalho encontrável e compreensível sem induzir alguém a contratar o serviço, explorar sofrimento ou transformar vínculo terapêutico em prova social. Uma pessoa pode chegar por indicação, encaminhamento profissional, busca local, plataforma ou conteúdo. Em qualquer caminho, precisa verificar quem é o profissional, como trabalha, onde atende e como iniciar uma conversa.
Resumo

O que orienta este guia

  • Psicólogas e psicólogos podem divulgar seus serviços, respeitando o Código de Ética e as orientações do Sistema Conselhos.
  • Nome, título profissional e número de registro no CRP precisam acompanhar a divulgação.
  • Preço não deve ser usado como propaganda; promessa, indução e sensacionalismo também são inadequados.
  • Depoimentos de pessoas atendidas apresentam riscos éticos importantes e não devem ser tratados como tática comum de marketing.
  • Indicação, Google, site, conteúdo e atendimento inicial cumprem funções diferentes.
Sim. O artigo 20 do Código de Ética Profissional estabelece critérios para a promoção pública dos serviços. Ao divulgar, o profissional deve informar nome completo, CRP e número de registro, mencionar apenas qualificações que possui e divulgar atividades e recursos reconhecidos ou regulamentados pela profissão. O mesmo artigo impede usar preço como propaganda, fazer previsão taxativa de resultados, promover-se em detrimento de outros profissionais ou divulgar atividades de forma sensacionalista. Divulgação ética, portanto, não significa desaparecer da internet. Significa apresentar o trabalho sem simular certeza, superioridade ou urgência clínica. Na Nota Técnica CFP nº 01/2022, o CFP reforça a identificação com nome completo ou social, título “psicóloga” ou “psicólogo”, CRP e número de inscrição. Também é possível apresentar:
  • formação;
  • público atendido;
  • abordagem teórica;
  • metodologia de trabalho;
  • outras características técnicas reais da atuação.
A formação em Psicologia é generalista. Cursos, abordagens e áreas de interesse não devem ser convertidos automaticamente em títulos que o profissional não possui.
Ação

Base mínima antes da divulgação

  • Nome, título profissional, CRP e registro visíveis.
  • Formação e qualificações conferidas.
  • Público, modalidade e localização descritos sem promessa de adequação universal.
  • Contato profissional separado ou claramente organizado.
  • Processo para responder, agendar e encaminhar definido.
  • Conteúdo revisado pelo profissional antes de publicar.
Uma recomendação reduz parte da incerteza, mas a pessoa ainda pode pesquisar o nome do profissional, abordagem, localização e modalidade. Um site ou perfil objetivo ajuda a confirmar que encontrou a pessoa certa. Psiquiatras, médicos, escolas e outros psicólogos podem encaminhar demandas compatíveis. Essa rede se sustenta por atuação responsável, conhecimento de limites e qualidade dos encaminhamentos. O Código de Ética proíbe receber ou pagar remuneração ou porcentagem por encaminhamento. Relação profissional não deve ser programa de afiliados. Quem pesquisa “psicóloga em Curitiba” ou “consultório de psicologia perto de mim” demonstra intenção mais ativa. O Perfil da Empresa no Google pode organizar endereço, horário, telefone, site e avaliações na Busca e no Maps. Para atendimento exclusivamente on-line, uma estratégia nacional de conteúdo pode ser mais relevante do que tentar simular presença física em cidades onde o profissional não atende. Conteúdo psicoeducativo pode explicar o papel social e científico da Psicologia, reduzir dúvidas sobre o processo e apresentar a forma de comunicação do profissional. Não deve diagnosticar seguidores, oferecer aconselhamento individual público ou usar sofrimento como gatilho para contratação.
Decisão

Escolha o canal pelo problema atual

  • A pessoa indicada não encontra informações: organize site ou página profissional.
  • O consultório presencial não aparece localmente: revise o Perfil da Empresa no Google.
  • Há dúvidas recorrentes sobre psicoterapia: crie conteúdo psicoeducativo.
  • O profissional não quer exposição constante: mantenha uma presença institucional enxuta.
  • Chegam contatos, mas poucos avançam: revise resposta, disponibilidade e expectativas.
O site concentra informações permanentes:
  • quem é o profissional;
  • CRP e formação;
  • público e modalidade;
  • abordagem explicada em linguagem compreensível;
  • localização;
  • como funciona o primeiro contato.
Evite prometer conexão, acolhimento ou resultado antes de existir relação profissional. O site pode explicar princípios do trabalho sem afirmar que será adequado para qualquer pessoa. Faz sentido para local onde há atendimento presencial e contato com pacientes. Use endereço real, categoria coerente e fotografias da estrutura sem expor pessoas atendidas. Avaliações públicas exigem atenção adicional. Ao responder, não confirme vínculo, demanda ou detalhes do atendimento. O sigilo continua valendo mesmo quando a própria pessoa publica informação. Redes ajudam a distribuir conteúdo e permitir verificação. Não são obrigatórias. Um perfil com identificação, atuação, contato e publicações permanentes pode cumprir a função de presença sem rotina diária. Perfil pessoal e profissional podem coexistir, mas a nota técnica recomenda cuidado para não confundir informações e fronteiras. O alcance das publicações é amplo e o conteúdo permanece registrado. Podem facilitar descoberta e agenda, especialmente no início. Antes de entrar, avalie:
  • como o preço é apresentado;
  • quem controla os dados;
  • como ocorre o encaminhamento;
  • quais informações ficam públicas;
  • se a operação favorece precarização;
  • como sair da plataforma.
Mesmo quando uma empresa cria a página, o profissional continua responsável pela publicidade associada ao seu trabalho. A Nota Técnica nº 01/2022 orienta que preço não seja usado como propaganda e menciona expressões como “preço social”, “atendimento social”, “desconto”, “pacote promocional” e “valor acessível”, além de cupons e sorteios. Isso não impede combinar honorários com a pessoa antes do início do trabalho. O Código de Ética prevê que a remuneração considere justa retribuição, condições do usuário e características da atividade, preservando a qualidade do serviço independentemente do valor acordado. A diferença está entre negociar honorários com responsabilidade e usar vantagem financeira como isca pública. A nota técnica orienta que a publicidade não use diagnóstico, análise de caso, aconselhamento ou orientação que identifique a pessoa atendida. Também afirma que depoimentos e fotografias de usuários não devem ser usados na publicidade. Mesmo quando há consentimento escrito, a utilização é permitida em determinadas condições, mas não recomendada por causa dos riscos e da natureza da relação. Na prática editorial, trate depoimento de paciente como recurso inadequado para construir “prova social”. Existem alternativas:
  • apresentar formação e experiência real;
  • explicar o processo de trabalho;
  • publicar conteúdo psicoeducativo;
  • manter informações consistentes;
  • participar de redes profissionais;
  • tornar o contato inicial compreensível.
Desde a Resolução CFP nº 09/2024, não é mais necessário cadastro na plataforma e-Psi. A orientação disponível no Sistema Conselhos informa que é necessária inscrição ativa e avaliação da compatibilidade técnica e ética do atendimento mediado por tecnologias digitais. Isso não significa que toda demanda deva ser atendida on-line. O profissional precisa considerar riscos, rede de proteção, urgência, emergência e adequação da modalidade. Na publicidade, explique que oferece atendimento on-line sem transformá-lo em solução universal ou ignorar limites territoriais e técnicos aplicáveis. Um bom conteúdo pode explicar conceitos, diferenças entre serviços, funcionamento da psicoterapia e critérios gerais de busca por ajuda. Evite:
  • “cinco sinais de que você é...”;
  • testes improvisados;
  • diagnóstico por enquete;
  • aconselhamento diretivo sem contexto;
  • frases que garantem transformação;
  • apropriação de sofrimento para criar urgência.
O artigo 19 do Código de Ética orienta que participações em meios de comunicação disseminem conhecimento sobre atribuições, base científica e papel social da profissão. Esse é um critério editorial mais útil do que perseguir apenas engajamento. Uma pessoa pode chegar hesitante, perguntar sobre valor, modalidade ou disponibilidade e ainda não estar pronta para relatar uma demanda detalhada. Organize a resposta para:
  • confirmar recebimento;
  • identificar o profissional;
  • explicar disponibilidade e modalidade;
  • informar como os honorários são tratados;
  • orientar o próximo passo;
  • encaminhar quando a demanda não for compatível.
Evite transformar o WhatsApp em entrevista clínica improvisada. Dados sensíveis precisam de necessidade, proteção e contexto adequados. Registre informações simples:
  • origem dos contatos;
  • modalidade procurada;
  • demandas compatíveis e encaminhadas;
  • agendamentos;
  • comparecimentos;
  • tempo investido em cada canal.
Seguidores não mostram sozinhos se a presença facilitou acesso, produziu dúvidas qualificadas ou aproximou demandas compatíveis.
FAQ

Perguntas frequentes

Psicólogo pode fazer propaganda?Pode divulgar serviços seguindo o Código de Ética, as resoluções e orientações do Sistema Conselhos. Identificação, conteúdo, qualificações e forma de apresentação precisam ser revisados.Pode anunciar preço da sessão?O preço não deve ser usado como propaganda. A orientação do CFP também desaconselha expressões promocionais e vantagens financeiras como mecanismo de divulgação.Pode publicar depoimento de paciente?A Nota Técnica nº 01/2022 não recomenda esse uso devido aos riscos éticos e à relação profissional, mesmo ao tratar das condições de consentimento. Não use depoimento como tática padrão.É obrigatório ter Instagram?Não. Site, Google, encaminhamentos e presença institucional podem ser mais adequados conforme público, modalidade e origem dos contatos.Uma agência pode cuidar da divulgação?Pode apoiar produção e distribuição, mas o profissional continua responsável por verificar se o conteúdo respeita as diretrizes éticas.Ainda é necessário cadastro e-Psi?Não desde a Resolução CFP nº 09/2024. É necessária inscrição ativa e avaliação técnica e ética da modalidade, além das demais normas aplicáveis.
Um consultório não precisa induzir contratação para ser encontrado. Precisa apresentar atuação, limites, modalidade e contato de forma verificável.
Próximos passos

Uma sequência inicial

  • Revise nome, título profissional, CRP, formação e qualificações.
  • Pesquise como o consultório aparece no Google.
  • Organize uma página com atuação, modalidade e contato.
  • Defina limites para conteúdo, avaliações e mensagens.
  • Escolha um canal de divulgação que caiba na prática profissional.
Próximas leituras

Continue por assuntos próximos.